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Estudo de 336 Acidentes em Operações com Árvores: Fatores de Risco e Soluções

  • 10 de out. de 2024
  • 10 min de leitura

Atualizado: 10 de abr.

A arboricultura é uma profissão essencial e ao mesmo tempo arriscada, que exige atenção redobrada em todas as etapas de trabalho, seja na poda, corte ou remoção de árvores. Entre 2022 e 2026, foram coletados dados de 336 acidentes em operações com árvores nos Estados Unidos, através da plataforma de notificação pertencente à TCIA (Tree Care Industry Association), disponível em https://tcimag.tcia.org/accident-briefs, para este artigo, fornecendo insights valiosos sobre as causas, os fatores de risco e possíveis soluções para mitigar esses incidentes. A Tree Care Industry Association (TCIA) é uma associação comercial dos Estados Unidos que representa mais de 1.800 empresas de cuidados com árvores, e tem como objetivo promover a segurança e a educação no setor de arboricultura. Mais informações podem ser encontradas em www.treecareindustryassociation.org/

Operações com Árvores no Brasil


A existência deste artigo é motivada pela necessidade de compreender e mitigar os riscos associados às operações de arboricultura. A análise dos acidentes registrados nos Estados Unidos oferece insights que podem ser aplicados em contextos globais, inclusive no Brasil, onde as operações de poda e remoção de árvores também envolvem riscos significativos para os trabalhadores. Embora o contexto brasileiro tenha suas particularidades, como legislação trabalhista específica, diferenças climáticas e condições socioeconômicas, muitos dos riscos identificados são semelhantes. É fundamental que as lições aprendidas em outros países sejam adaptadas e aplicadas localmente, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e eficiente para os profissionais de arboricultura no Brasil.


Análise dos Dados de Acidentes: Gravidade e Causas

Os acidentes analisados no estudo variaram em gravidade, desde incidentes fatais a ocorrências leves. A classificação foi feita com base nos seguintes parâmetros:

Acidentes Fatais: 220 casos (65,5%)

Acidentes Graves: 63 casos (18,8%)

Acidentes com Salvamento: 38 casos (11,3%)

Acidentes Leves: 9 casos (2,7%)

Acidentes em Destaque: 4 casos (1,2%)

Acidentes com Feridos: 2 casos (0,6%)

A alta proporção de acidentes fatais (65,5%) destaca a natureza perigosa das operações com árvores, onde um erro operacional, uma falha de planejamento ou um problema com equipamentos pode ter consequências devastadoras. Na base atual classificada, foram analisados 336 acidentes.


Principais Causas dos Acidentes



Principais Causas dos Acidentes


Os acidentes foram classificados por suas causas principais, identificando os seguintes fatores de risco:


  1. Queda: 89 acidentes (26,5%) - As quedas foram a causa mais frequente entre os acidentes analisados, ocorrendo principalmente durante a escalada em árvores, o uso de plataformas elevatórias, cestos e outras atividades em altura. Esses casos reforçam a importância de sistemas adequados de ancoragem, uso correto dos equipamentos de proteção contra quedas, planejamento prévio da atividade e treinamento contínuo das equipes.


  2. Atingido por ou contra objeto: 84 acidentes (25,0%) - Uma parte expressiva dos acidentes ocorreu quando trabalhadores foram atingidos por galhos, troncos, seções cortadas da árvore ou outros objetos durante operações de poda, corte ou remoção. Esses casos ressaltam a importância do controle da zona de queda, da comunicação eficiente entre os membros da equipe e do uso consistente de capacetes e protetores faciais.


  3. Choque elétrico ou queimadura: 48 acidentes (14,3%) - Trabalhos em proximidade a linhas de energia elétrica continuam representando um dos riscos mais críticos e letais. A falta de análise prévia da área, de definição de distâncias seguras e de protocolos específicos para atuação próxima à rede elétrica contribui significativamente para esse tipo de ocorrência. Para mitigar esses acidentes, é essencial que os trabalhadores sejam capacitados para reconhecer riscos elétricos e seguir procedimentos rigorosos de segurança.


  4. Resgate: 31 acidentes (9,2%) - Esses registros envolvem trabalhadores que precisaram ser resgatados após ficarem presos, suspensos, invertidos ou incapacitados durante o trabalho em altura. A frequência desses casos demonstra a necessidade de treinamento prático em técnicas de resgate, além de planos de emergência bem definidos e equipes preparadas para resposta rápida.


  5. Veículo: 31 acidentes (9,2%) - Acidentes envolvendo caminhões, plataformas, equipamentos móveis e outros veículos de apoio também tiveram participação relevante. Esses eventos mostram a importância da operação segura de máquinas, da inspeção prévia dos equipamentos, da estabilidade do conjunto e do isolamento adequado da área de trabalho.


  6. Preso embaixo de algo ou esmagado: 16 acidentes (4,8%) - Nesses casos, os trabalhadores ficaram presos sob árvores, troncos, galhos ou estruturas durante a movimentação, queda ou colapso dos materiais. Isso evidencia a importância de técnicas seguras de movimentação, leitura correta das tensões da árvore e coordenação clara entre os integrantes da equipe.


  7. Corte: 14 acidentes (4,2%) - Acidentes envolvendo serras e outras ferramentas de corte continuam presentes, geralmente associados ao manuseio inadequado, falhas operacionais ou falta de treinamento. O uso correto das ferramentas, aliado à capacitação técnica, é essencial para reduzir esse risco.


  8. Incerto: 9 acidentes (2,7%) - Alguns acidentes não puderam ser classificados com precisão quanto à causa principal, devido à limitação de informações disponíveis nos relatos. Isso reforça a necessidade de melhorar os processos de registro, documentação e investigação dos acidentes.


  9. Chipper / Picador: 7 acidentes (2,1%) - Os acidentes com picadores de galhos continuam sendo relevantes pelo alto potencial de gravidade. Esses casos exigem treinamento específico, procedimentos seguros de alimentação do equipamento e atenção rigorosa à operação.


  10. Picada de inseto: 4 acidentes (1,2%) - Incidentes com abelhas e outros insetos apareceram em menor número, mas seguem sendo um risco real em operações com árvores, especialmente em poda e remoção.


  11. Mordidas e picadas: 2 acidentes (0,6%) - Casos envolvendo animais, como morcegos, também foram identificados, embora com baixa frequência.


  12. Sem categoria definida: 1 acidente (0,3%) - Um caso não pôde ser enquadrado adequadamente nas categorias principais disponíveis.


  13. Violência no Local de Trabalho: 1 acidente (0,3%) - Houve também um registro isolado de violência no ambiente de trabalho, indicando que a segurança deve ser considerada não apenas sob a ótica operacional, mas também nas relações dentro do ambiente profissional.


  14. Esses dados indicam que a maior parte dos acidentes está concentrada em quedas, atingimento por objetos ou partes da árvore e contato com energia elétrica. Além disso, os registros de resgate e de acidentes com veículos e equipamentos móveis mostram que o risco na arboricultura não se limita apenas ao corte em si, mas envolve toda a organização da operação, o planejamento, a comunicação da equipe e a resposta a emergências.


    A presença expressiva de acidentes elétricos reforça, de forma especial, a necessidade de cautela em trabalhos próximos a infraestruturas energizadas, enquanto a alta incidência de quedas e impactos destaca a importância do treinamento técnico, do controle da zona de trabalho e do uso correto dos equipamentos de proteção.


Equipamentos como Causadores de Acidentes

Os equipamentos desempenharam papel importante nos acidentes registrados. Na análise atual dos relatos, alguns grupos de equipamentos aparecem com frequência como parte do contexto operacional das ocorrências.


  • Caminhões e bucket trucks foram mencionados em 101 relatos. Esses equipamentos aparecem tanto no deslocamento e apoio às operações quanto como parte da própria estrutura de trabalho em altura. Os relatos mostram que falhas operacionais, posicionamento inadequado, instabilidade e interação com outros elementos do canteiro podem aumentar significativamente o risco.


  • Plataformas elevatórias, lifts e boom lifts também foram mencionados em 101 relatos. Esses equipamentos são essenciais para alcançar grandes alturas, mas aparecem associados a quedas, choques elétricos, tombamentos, falhas mecânicas e situações de resgate. Isso reforça a importância da inspeção prévia, do posicionamento correto, da estabilidade da base e do uso adequado dos sistemas de proteção.


  • Cestos apareceram em 64 relatos, geralmente vinculados a plataformas, caminhões com cesto e operações próximas à rede elétrica. A recorrência desses equipamentos nos relatos mostra que o trabalho em altura com cesto exige atenção especial à operação, à manutenção e à proteção do trabalhador.


  • Serras, motosserras e pole saws foram identificadas em 62 relatos. Esses equipamentos continuam presentes em muitos eventos graves, seja por corte direto, por interação com cordas, por perda de controle da peça cortada ou por contato com rede elétrica. O uso técnico correto e o treinamento prático são indispensáveis.


  • Escadas apareceram em 33 relatos, mostrando que continuam sendo usadas em parte das operações, especialmente em atividades de acesso inicial ou apoio. A falta de estabilidade, o uso em superfície inadequada e a combinação com outras condições de risco podem aumentar a probabilidade de quedas.


  • Picadores de galhos (chippers) foram mencionados em 25 relatos. Mesmo com número menor que outros equipamentos, continuam representando alto potencial de gravidade. Os relatos reforçam a importância de procedimentos seguros de alimentação, atenção contínua durante a operação e controle rigoroso da área ao redor do equipamento.


  • Cordas e sistemas de cordas apareceram em 20 relatos. A presença relativamente menor nos textos não significa baixa relevância, mas mostra que normalmente surgem associadas a escalada, ancoragem, retenção, descida controlada e resgate. Quando aparecem em acidentes, costumam estar ligadas a emaranhamento, falhas de configuração, dano por corte ou necessidade de retirada emergencial do trabalhador.


  • Tratores foram mencionados em 16 relatos, geralmente em operações de apoio, arraste ou movimentação de árvores e materiais. Esses casos mostram a importância da operação correta e da avaliação das forças aplicadas durante derrubadas e remoções.


  • Skid steers / loaders apareceram em 12 relatos, associados principalmente a esmagamento, impacto de árvore ou aprisionamento do operador.


  • Arnês / harness também apareceu em 12 relatos, normalmente em ocorrências de queda, suspensão invertida ou resgate. Isso reforça a importância do uso correto, da regulagem, da compatibilidade com o sistema e do treinamento em trabalho em altura.


  • Guindastes (cranes) foram mencionados em 6 relatos, geralmente em operações complexas de içamento. Mesmo com menor frequência, exigem alto nível de planejamento, comunicação e controle operacional.


Esses dados mostram que os equipamentos estão fortemente presentes na dinâmica dos acidentes em arboricultura. No entanto, mais do que culpar o equipamento isoladamente, os relatos indicam que o risco costuma surgir da combinação entre equipamento, operação, ambiente, posicionamento, comunicação da equipe e tomada de decisão. Por isso, a prevenção depende não apenas do equipamento em si, mas também da sua inspeção, manutenção, escolha correta e uso técnico adequado.

Meses dos Acidentes e Sazonalidade

A análise dos acidentes por mês mostra variações relevantes na frequência de incidentes ao longo do período atualmente avaliado, de março de 2022 a fevereiro de 2026, com base na classificação mais recente dos relatos do Accident Briefs da TCIA. Essas variações podem estar associadas a fatores sazonais, condições climáticas, maior demanda por serviços e aumento da exposição operacional em determinados períodos. As médias mensais calculadas na base atual foram as seguintes:



  • Janeiro: 6,25 acidentes

  • Fevereiro: 6,75 acidentes

  • Março: 7,5 acidentes

  • Abril: 7 acidentes

  • Maio: 8 acidentes

  • Junho: 6,6 acidentes

  • Julho: 9 acidentes

  • Agosto: 8,25 acidentes

  • Setembro: 8 acidentes

  • Outubro: 5,75 acidentes

  • Novembro: 7 acidentes

  • Dezembro: 7,33 acidentes

Maior Atividade nos Períodos Mais Intensos

Os dados mostram que os meses com maiores médias de acidentes foram julho (9,00), agosto (8,25), maio (8,00) e setembro (8,00). Em seguida aparecem março (7,50) e dezembro (7,33). Esse comportamento sugere maior concentração de ocorrências em períodos de atividade mais intensa, quando aumentam os serviços de poda, remoção, manutenção de áreas verdes e resposta a eventos climáticos.

Nos Estados Unidos, os meses mais quentes e os períodos de transição sazonal costumam favorecer a realização de trabalhos ao ar livre, ampliando o volume de operações com árvores. Com isso, cresce também a exposição dos trabalhadores a riscos como quedas, impacto por galhos e troncos, contato com energia elétrica e uso de equipamentos potencialmente perigosos.

Outros fatores que podem contribuir para o aumento dos acidentes nos períodos mais ativos incluem:

Condições climáticas extremas: tempestades, ventos fortes, furacões e outros eventos severos geram demanda urgente por remoção de árvores e atendimento emergencial, o que pode aumentar o risco operacional.

Maior uso de equipamentos perigosos: em períodos de maior atividade, há uso mais frequente de motosserras, picadores de galhos, plataformas elevatórias e caminhões com cesto, exigindo treinamento e controle rigoroso.

Aumento da carga operacional: quanto maior o volume de trabalho, maior tende a ser a exposição da equipe a tarefas críticas, deslocamentos, pressão por produtividade e operações simultâneas.

Necessidade de treinamento contínuo: períodos de maior atividade exigem ainda mais disciplina operacional, planejamento, comunicação da equipe e preparo para emergências e resgates.

Esses dados reforçam a importância de um planejamento cuidadoso e de treinamentos contínuos, principalmente nos períodos de maior atividade, para reduzir os riscos e promover operações mais seguras na arboricultura.



Nuvem de Palavras: Um Olhar Detalhado sobre os Acidentes

A análise da nuvem de palavras evidencia áreas críticas que precisam ser enfrentadas para tornar as operações com árvores mais seguras. A predominância de termos ligados à fatalidade, à queda, ao impacto por partes da árvore, ao corte, ao resgate e à eletrocussão mostra que os riscos mais frequentes não estão restritos a um único momento da atividade, mas distribuídos por toda a operação. Isso inclui o acesso à árvore, o posicionamento da equipe, o uso de equipamentos, o controle da zona de trabalho, a interação com a rede elétrica e a resposta a emergências.


Ao mesmo tempo, a nuvem também ajuda a reforçar uma percepção importante: a segurança na arboricultura depende de um conjunto de fatores que precisam funcionar em harmonia. Não basta ter bons equipamentos se faltam planejamento, comunicação e técnica. Da mesma forma, não basta dominar o corte se a operação não considera corretamente o risco de queda, o comportamento da árvore, a movimentação das peças, a proximidade da rede elétrica ou a necessidade de resgate.


Os relatos mostram, repetidamente, que os acidentes mais graves costumam surgir justamente quando há falha nessa integração entre conhecimento técnico, organização da equipe e controle operacional.


Por isso, reduzir acidentes em operações com árvores exige uma abordagem prática e contínua de prevenção. Isso passa por treinamento frequente, inspeção e manutenção de equipamentos, avaliação criteriosa da árvore e do ambiente, definição clara de funções na equipe, uso correto dos sistemas de proteção e preparação real para situações de emergência.


Em um setor em que quedas, impactos, choques elétricos e falhas operacionais podem ter consequências fatais, a prevenção não pode ser tratada como um detalhe, mas como parte central do trabalho.


Com tudo isso em mente, fica claro que as operações de arboricultura exigem muito mais do que habilidade prática. Elas exigem preparo técnico, atenção constante, leitura de risco, disciplina operacional e compromisso com a segurança em todas as etapas da atividade.


Cada acidente relatado, seja uma queda, um choque elétrico, um impacto por galho ou uma situação de resgate, reforça a necessidade de evoluir continuamente as práticas do setor.


Em última análise, trabalhar com árvores é lidar com um ambiente dinâmico, onde pequenos erros podem gerar consequências severas. Por isso, a combinação entre conhecimento, planejamento, uso correto dos equipamentos e tomada de decisão segura é o que sustenta uma operação bem executada.


A meta continua sendo simples, mas exige seriedade todos os dias: subir com técnica, executar o trabalho com controle e descer em segurança.



Felipe Silveira

  • Arborista Certificado ISA - N. BR-0024A

  • Tree Climber Specialist TCIA

  • Mecânico de motores dois tempos

  • Pós-Graduado Arborização Urbana pela UFRRJ

  • Arborista do Time Husqvarna Brasil

  • Certificado B.L.S

  • Inspetor de Equipamentos de Escalada 

  • Técnico em Segurança do Trabalho

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Felipe Silveira
Arborista Certificado ISA®
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