Qual Nó utilizar no Mosquetão na Escalada em Árvores?
- 19 de fev.
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de fev.
Por que o nó de conexão com o mosquetão é decisivo na escalada em árvores?
Na escalada de árvores profissional, a escolha do nó influencia diretamente:
A estabilidade do sistema;
O alinhamento do mosquetão;
A manutenção da carga no eixo maior;
A redução do risco de cross-loading.
A ABNT NBR 16246-2:2024 — Florestas urbanas — Manejo de árvores,
arbustos e outras plantas lenhosas - Parte 2: Requisitos de segurança em serviços
de arboricultura - estabelece critérios objetivos sobre como a corda deve ser terminada e conectada ao elemento de ligação.
Nos itens 10.1.9.1 a 10.1.9.3, a norma determina que:
A corda deve ser terminada com olhal pré-fabricado ou com nó que faça interface apropriada com o elemento de ligação;
Quando o conector não for classe T (conforme ABNT NBR 15837), a terminação deve manter o carregamento ao longo do eixo principal;
A conexão deve ser compatível para limitar a possibilidade de desconexão acidental ou carregamento no eixo menor do mosquetão.
A norma não impõe um nó específico.Ela impõe desempenho estrutural.
O que significa “interface apropriada” com o mosquetão?
Tecnicamente, uma interface apropriada implica que o nó:
Ajuste-se firmemente ao mosquetão;
Reduza rotação excessiva;
Evite formação de laços amplos;
Mantenha o carregamento no eixo maior (major axis);
Limite risco de carregamento no eixo menor (minor axis).
Se o nó permitir giro excessivo do conector, aumenta-se o risco estrutural — o que pode contrariar os princípios da norma.
Alguns Nós Utilizados
Com base na prática profissional e literatura técnica especializada, três nós são frequentemente utilizados quando o objetivo é estabilidade na conexão ao mosquetão.
1. Nó Fiel (Clove Hitch)

Aplicação comum: ajustes rápidos, posicionamentos temporários.
Vantagens:
Fácil execução;
Permite regulagem;
Pode ser estabilizado com nó de segurança.
Ponto de atenção: Sob carga variável, pode permitir pequena movimentação. Deve ser avaliado dentro do sistema fechado. Quando utilizado em sistema aberto é necessário um nó de arremate.
2. Nó de Âncora (Anchor Hitch)

Aplicação comum: terminações mais estáveis.
Vantagens:
Ajusta-se firmemente ao mosquetão;
Reduz movimentação;
Mantém melhor alinhamento estrutural;
Excelente estabilidade sob carga.
É um dos nós mais consistentes quando o objetivo é limitar rotação. Quando utilizado em sistema aberto é necessário um nó de arremate.
3. Nó Pescador (Double Fisherman’s)

Aplicação comum: formação de laços.
Vantagens:
Alta resistência;
Confiabilidade sob carga constante;
Embora seja um nó muito seguro e estável, é importante destacar que, quando submetido a alta tensão, tende a se compactar significativamente, tornando sua soltura difícil após carga intensa ou prolongada.
Configurações de Nós que Não Atendem aos Requisitos Normativos

Nós que formam laços amplos, como o laís de guia ou o nó oito com alça, permitem maior mobilidade do mosquetão dentro da terminação.
Essa folga pode favorecer rotação do conector e aumentar o risco de carregamento fora do eixo principal.

Seguindo a ABNT NBR 16246-2:2024, a terminação deve manter alinhamento no eixo maior e limitar carregamento no eixo menor, razão pela qual nós que não se ajustam firmemente ao mosquetão podem não ser os mais adequados para essa aplicação.
Relação Direta com a ABNT NBR 16246-2
Ao analisar os itens 10.1.9.1 a 10.1.9.3, observa-se que:
O nó deve fazer interface adequada;
O sistema deve manter o eixo principal;
A conexão deve limitar carregamento no eixo menor.
Sendo assim, a escolha do nó deve ser técnica e consciente.
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Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT).ABNT NBR 16246-2:2024 — Técnicas de trabalho em árvores — Parte 2: Requisitos de segurança. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.
AMERICAN NATIONAL STANDARDS INSTITUTE (ANSI).ANSI Z133 — Safety Requirements for Arboricultural Operations. Atlanta: International Society of Arboriculture (ISA).
JEPSON, Jeff.Knots at Work: A Field Guide for the Modern Arborist. Beaver Tree Publishing.

